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domingo, 29 de junho de 2014

Capítulo 2 - Tropeços e Encontros

Alguns meses haviam passado desde a minha chegada. Nas semanas que transcorreram, eu tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas. Aparentemente, o meu jeito eufórico , exagerado, sem noção e "sem vergonha" era um atrativo. Nunca imaginei que o fato de eu ser "eu mesmo" e não me esconder como  costumeiramente havia feito, fosse um "plus" para mim e para os que me rodeavam. 
Eu tinha algumas pessoas e ao mesmo tempo não tinha ninguém. Mesmo sendo brincalhão e aberto à novas amizades, eu sempre fui fechado para o que chamam de amor. Minha preferência sexual eram os homens. Eu ficava com mulheres, trocava carinhos, beijos ,mas nunca as levava pra cama, pois eu era ( e ainda sou) inseguro demais pra fazer isso. Com homens, não. Era tudo muito fácil e simples. E quanto mais eu ficava com homens, mais fácil era conduzir o ato com eles . . . Eu não era de ninguém nas primeiras semanas , até o Tanaka Koki aparecer. 




Tanaka era um rapaz gentil, doce, praticamente uma mulher de tão sensível que era. Eu não consegui aprofundar minha relação com Tanaka , mesmo ele sendo aquela pessoa adorável. Não consegui consumar minha relação de 1 mês com ele, nunca nos deitamos juntos, nunca o vi sem as vestes. Foi o primeira vez , depois de muito tempo, que eu consegui estar com alguém de um jeito puro, conhecendo a alma antes de conhecer o corpo. Entretanto, Tanaka era um pouco  ausente. As ocupações com trabalho e outros afazeres, o faziam deixar-me a mercê de outras pessoas...

E foi nestas ausencias do Tanaka que o D.evil apareceu. 




D.evil, um nome estranho. Me perguntava o porque deste apelido. E em uma semana de convivência, entendi o porque daquele rapaz mais alto e mais magro que eu, cheio de tatuagens, ter como apelido algo similar a demônio. D.evil era uma peste. Era quente, inquieto, abusado, elétrico. 

Era como a minha versão, só que drogado, sob o efeito de Êxtasi e todos os energéticos que pudessem existir. Infelizmente não pude resistir à ele. Foi uma semana de sexo , mal conversávamos, era apenas um rasgar de roupas e uma relação coberta com arranhões e pingos de sangue sobre a cama, a concretização de uma violência desnecessária. Traí Tanaka , pedi perdão, mas me senti tão sujo que não consegui nem mesmo abraçá-lo quando terminamos.
- Camui , espero pelo menos que esse rapaz seja pra você o namorado que eu não fui.
Aquelas palavras de Tanaka entraram como uma faca em meu peito. Eu não tinha intenções de namorar o D.evil, mas depois daquela frase, eu percebi que talvez assumir um compromisso com ele fosse uma forma de amenizar a traição que eu tinha cometido. Eu me sentia sujo, me sentia mal.Namorá-lo poderia ser a solução. Talvez eu me sentisse menos canalha com minha cafajestagem.
Pedi D.evil em namoro na mesma noite , e nossa relação foi mais uma vez comemorada com sexo. Engraçadamente, na primeira noite eu já estava me sentindo cansado.Nos outros dias não tinha muito a acrescentar na minha vida...pois ela se resumia a conversar com meus amigos e encontrar o D.evil ao anoitecer.Entretanto, um dia minha cunhada me chamou. A mulher de meu irmão estava preocupada, achando meu irmão distante e pediu minha sincera ajuda pra descobrir algo. Fui gentil e disse que faria o possível, então quando todos nos encontramos para um confraternização.Não me vi sozinho com Hyo e Satoru, lá tambem estava uma mulher, na qual Hyo  me apresentou  como a irmã dela e o Satoru fez os cumprimentos:
-Ayumi, este é o Gackt, Mad, Gacktão, chamam ele de muitas coisas!
A mulher era mesmo linda, uma japonesa pequena, de cabelos claros, sorridente, parecia ser muito engraçada e feliz.Contudo, a voz de meu irmão veio à minha cabeça naquele instante : " Ela é perigosa". Não me importei, e agi alteradamente na companhia da mulher.

Ofereci um sorriso à ela, segurei a mão macia e dediquei um beijo sobre as unhas longas coloridas. Fiquei atentamente olhando aquelas unhas tão belas e depois os chamativos e gigantes olhos. Naquele segundo, lembrei de um de meus filmes favoritos na infância: "E,T , o extraterrestre". Ri, sozinho, mas não comentei aquilo no momento.Ela parecia usar aquelas lentes que aumentavam a íris. Por um minuto, me vi mesmo hipnotizado pelo sorriso branquinho e deliberado que ela oferecia, mas não sei se era impressão, mas ela se conteve. Percebi um fio de desconfiança por parte dela. Minha seriedade foi embora, e comecei a gargalhar, uma tentativa de deixá-la mais a vontade na minha presença, afinal eu seria para ela mais um amigo gay do que qualquer outra coisa. Uma mulher como aquela, que tinha homens e mais homens aos pés, não teria porque se importar em falar com um completamente invertido como era o meu caso.
- Você é meio GAY né? MAD? Isso é nome de gente?? Uma bichona, uma MONA ( sim, MONA). Vou abraçar você pra sentir quem tem os peitos maiores de nós dois!!
E ela me abraçou, quando eu disse que ia partir. Ela fez isso quando estávamos sozinhos. Confesso que nunca esqueci. Eu nunca tive atração por mulheres da forma como me senti atráido quando a Ayumi me abraçou. Confesso que aquilo me deixou um pouco  perturbado. Fui pra casa, com o número da Ayumi no bolso. Ela seria alguem presente na minha vida devido ao nosso "laço" familiar. Contudo, a medida que eu lembrava do jeito louco dela, as palavras do meu irmão surgiam na minha mente : " Porque você é Burro". Meu namorado estava em casa, como sempre, com mais dois amigos. Como eu odiava aqueles amigos dele. Os cumprimentei, fui ao quarto  e D.evil fez uma brincadeira :
- Querida, hoje não vamos F***
Confesso que fiquei irritado. Não pelo fato dele não querer ficar comigo, mas estava cansando...cansando de verdade.


~~ M A D ' z

Capítulo 1 - Adaptação

A melhor opção era fugir . Eu estava passando por um momento difícil em minha vida , tanto emocional quanto profissional. O que me deixava mais leve eram as ligações constantes de Satoru, meu irmão. Ele estava feliz e passava toda aquela alegria pra mim, mesmo que por alguns poucos minutos : 
- Gordo, venha pra cá . Estou casado, venha conhecer minha família. Você vai esquecer essa fase ruim quando passar uns tempos comigo! Estou te esperando, venha logo, vamos reviver os tempos de infância.
Satoru sempre insistia em minha visita, mas eu não queria incomodar ele com minha falta de motivação. Foram meses de conversas, e encontrava-me cada vez mais chateado com minha falta de fé. Decidi então mudar. Joguei uma tinta no meu cabelo, furei mais ainda minhas orelhas, coloquei as benditas lentes de contato que há tempos havia abandonado e depois de mais de dois meses de insistência,  eu simplesmente "apareci" na porta da casa de meu irmão. Passamos meses conversando, ele insistindo minha presença , com argumentos que me convenciam cada vez que nos falávamos por telefone, e finalmente, apareço, sendo calorosamente recepcionado com um abraço.



- GORDO! Você veiooooo! Amor , amor ! Este é meu irmão !!
Uma linda mulher coreana apareceu desfilando pela casa, sorrindo, já estendendo a mão para me receber. Confesso que senti inveja de meu irmão naquele instante. Ele tinha uma linda mulher, uma casa magnífica , e um sorriso no rosto , daqueles sinceros, que um dia eu tinha intenção de mostrar também.
- Opa, muito prazer , eu sou o Madrick .....MAD !
Odiava meu nome original. Por que diabos meus pais fizeram isso comigo? Pelo menos o apelido era menos decepcionante.
- E eu sou um robô! Nossa QUE ROUPA LINDA A SUA!!!!!
Os ataques eufóricos começavam do nada. Era repentino, o jeito um tanto "homosexual " e "bicha LOUCA" de brincar. Era estranho ver um homem alto, magro, da voz grossa, agindo de um modo tão contraditório com a sua personalidade. Gargalhava alto, usava movimentos nos quadris como se aquilo fosse uma brincadeira. Olhava pra cara do irmão que assustado , começava a rebolar também. Os dois gêmeos soltando a franga na sala, se abraçando, desferindo tapas um na bunda do outro.
-Qual o nome de sua dama, hein jujuba?



Jujuba, este era o apelido de meu irmão. Ele colocava jujubas na cueca pra fingir volume na intimidade. Era algo triste e ao mesmo tempo cômico.
- Gordo! Esta é a HYO !!! Hyooo o amor da minha vida!
A mulher do Satoru o olhava com susto. Era como se o marido dela fosse outra pessoa. Como se eu tivesse despertado o lado mais retardado dele. O homem não parava de requebrar as ancas enquanto falava gritando comigo. Depois de algumas horas de conversa , Hyo era constantemente interrompida por ligações. Satoru me olhava com insatisfação, e toda vez que a mulher dele se retirava da sala pra conversar no aparelho, meu irmão me dizia de um jeito engraçado :
- Um dia você vai conhecer "essa aí". É minha cunhada, irmã da Hyo. Só dou um conselho, fique longe dela!
Não sabia se o Satoru/ Jujuba estava brincando, como sempre, ou se estava falando sério. Mas ele não devia ter dito aquilo...A curiosidade foi, de imediato, despertada em mim.
- Por que não posso conhecer "essa aí"? HAUAHSUAHUSHAUH
Satoru me olhou de um jeito repreensivo, como se estivesse me ordenando algo. Ele era meu irmão mais velho, mesmo que por minutos de diferença. Desde criança  me aconselhava , e quando dirigiu aquele olhar pra mim , sabia que estava falando sério.
- Porque ela é perigosa e você é um burro.
Ri com a resposta dele, e o assunto foi esquecido. Horas depois de conversa e confraternização, fui finalmente ao meu apartamento. Era minha bagunçada casa, da minha nova vida ,apartamento 405 a dois quarteirões da casa do meu irmão em Shibuya.



Apresentação

Neste espaço teremos os relatos de uma turminha super bagunceira que vai aprontar muitas loucuras na sua sessão da tarde !! (mas o que? ). Na verdade , não. O intuito deste blog é  apenas relatar, brevemente, os acontecimentos de uma jornada que durou quase sete anos. Todos os acontecimentos aqui transcritos fazem parte de um "fake", que também é parte de mim. Esta é uma história "quase" fictícia , tendo em vista que os personagens não existem no nosso mundo, mas os "fatos" foram e ainda são reais. São personagens com almas humanas, que mesmo não tendo uma existência fática , mesmo não podendo ser tocados, eles podem ser sentidos pelos seres que deram vidas à eles como se fosse um pedaço de seu próprio corpo. É como se apegar ao personagem de um livro, ou de um jogo, só que de forma extremamente mais intensa. No jogo ou no livro o destino do personagem já está escrito, escolhido . . . e nós , leitores ou jogadores, só podemos seguir aquele caminho sem opção de mudá-lo. Aqui não , tudo é imprevisível . Tão imprevisível , que os anos me deram uma rasteira . . .

~~ M A D ' z