O dia amanheceu. Meus olhos se abriram e a primeira imagem que se formou foi dela. Ayumi. Olhei para o celular, não havia nenhuma mensagem. Talvez eu esperasse algo da parte dela, mas no fundo sabia que isso jamais aconteceria. Ayumi não era o tipo de mulher que precisava correr atrás de alguém, afinal, ela era rodeada de pretendentes. Mesmo casada, pretendentes não lhe faltavam. Levantei da cama e tomei a minha ducha matinal, e ainda sem desvendar os motivos a face de Ayumi invadia meus pensamentos. Não conseguia parar de pensar nela. Por que aquilo estava acontecendo? Que explicação tinha? O sexo nem fora tão bom. Fomos ambos, desajeitados, apressados, desatentos, até rudes. Não fui carinhoso, não fui gentil, fui apenas impetuoso, desleixado, talvez até mesmo negligente. Será que ela gostou daquilo? Eu me lembrava do corpo dela, do toque brincalhão, das coisas que ela havia me dito, e claro...das gargalhadas. Se existia algo marcante nela eram os olhos e as gargalhadas. Queria revê-la, mas tinha vergonha. Não podia mostrar interesse, nem preocupação. Pela primeira vez depois de meses eu tive a sincera vontade de rever alguém. Todos os demais eu havia fugido, evitado convites, ligações, e até os mesmos lugares. Todos meus casos estavam no passado, dificilmente havia um segundo encontro. Mas ela, será por que ela é mulher? O que ela tem? Não havia sido nada demais o nosso encontro, o contato dos corpos. Mas ficou uma lembrança, algo como um magnetismo. Será que eu havia gostado de ficar com mulher?......O banho então terminou, foi uma ducha longa e sem eficiência, estava mais mergulhado em pensamentos do que na água que escorria em meu corpo. Passaram-se algumas horas, eu tinha meus afazeres e Ayumi os dela, mas nenhuma mensagem havia sido mandada ainda, de nenhum dos lados. O silêncio era recíproco e perturbador.
Decidi dar mais algumas horas, a tarde havia demorado demais para passar, naquele dia eu estava submerso em ansiedade. Minhas unhas haviam sido roídas, meu cabelo estava todo assanhado do tanto que eu o havia puxado....E meus olhos, cobertos pelos óculos escuros , estavam fixos no celular, esperando ao menos uma mensagem que nunca chegava.
Anoiteceu. Ainda eram 18 e 30...Que dia longo, parecia que havia passado uma semana, e eu ali estático, aguardando algo que não vinha.
Decidi então tomar uma atitude. Comecei a me questionar. Afinal, Ayumi esperava o mesmo de mim? Será que ela estava esperando um sinal de vida? Estaria ela olhando para o celular como eu fazia?...
A coragem tomou a ponta de meus dedos e as teclas foram utilizadas. Uma mensagem fora enviada para ela, superficial, sem nada muito profundo, apenas para ter o cuidado de não mostrar sentimento algum:
-- Ayu! É o MAD! E aí? Teve problemas ontem? Seu marido desconfiou de algo? Espero que esteja bem!
Cerca de menos de um minuto depois, uma mensagem de retorno surgiu :
-- MAD! Hahahahaha ora que surpresa nem imaginava que você fosse me mandar algo! Ahhh ontem foi uma bagunça, mas foi divertido! Meu marido não está em casa estes dias, está viajando , participando de reuniões, essas coisas de gente famosa! HAHAHAHAHAHA
Ao ler aquilo, a coragem tomou conta de mim, o telefone fora pego e eu a liguei.
- OI Ayumi....Seu marido não está em casa esses dias?
O tom de voz da Ayumi mudou.
-- HAHAHAHA Oi MAD! Nossa você me ligou....Que surpresa maior....
Não, ele não estará em casa por umas 2 semanas....
Suspirei, falando logo após um leve sorriso.
-- Bom saber , jovem ET.
Ayumi também riu e em seguida me questionou.
- Caramba, por que?
Apenas sorri mais uma vez, e me despedi.
- Já já você saberá , até logo. Deixe a porta destrancada.
O Telefone foi desligado, subi ao quarto para tomar mais um banho. Vesti uma roupa adequada, um pouco mais formal do que costumava usar. Passei meu melhor perfume e desci, buscando as chaves do carro. Estava indo para casa da Ayumi. Restava saber se ela havia entendido meu recado.
~~ CONTINUA



