Capítulos

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

CAPITULO 7 : ANSIEDADE

O dia amanheceu. Meus olhos se abriram e a primeira imagem que se formou foi dela. Ayumi. Olhei para o celular, não havia nenhuma mensagem. Talvez eu esperasse algo da parte dela, mas no fundo sabia que isso jamais aconteceria. Ayumi não era o tipo de mulher que precisava correr atrás de alguém, afinal, ela era rodeada de pretendentes. Mesmo casada, pretendentes não lhe faltavam.  Levantei da cama e tomei a minha ducha matinal, e ainda sem desvendar os motivos a face de Ayumi invadia meus pensamentos. Não conseguia parar de pensar nela. Por que aquilo estava acontecendo? Que explicação tinha? O sexo nem fora tão bom. Fomos ambos, desajeitados, apressados, desatentos, até rudes. Não fui carinhoso, não fui gentil, fui apenas impetuoso, desleixado, talvez até mesmo negligente. Será que ela gostou daquilo? Eu me lembrava do corpo dela, do toque brincalhão, das coisas que ela havia me dito, e claro...das gargalhadas. Se existia algo marcante nela eram os olhos e as gargalhadas. Queria revê-la, mas tinha vergonha. Não podia mostrar interesse, nem preocupação. Pela primeira vez depois de meses eu tive a sincera vontade de rever alguém. Todos os demais eu havia fugido, evitado convites, ligações, e até os mesmos lugares. Todos meus casos estavam no passado, dificilmente havia um segundo encontro.  Mas ela, será por que ela é mulher? O que ela tem? Não havia sido nada demais o nosso encontro, o contato dos corpos. Mas ficou uma lembrança, algo como um magnetismo. Será que eu havia gostado de ficar com mulher?......



O banho então terminou, foi uma ducha longa e sem eficiência, estava mais mergulhado em pensamentos do que na água que escorria em meu corpo. Passaram-se algumas horas, eu tinha meus afazeres e Ayumi os dela, mas nenhuma mensagem havia sido mandada ainda, de nenhum dos lados. O silêncio era recíproco e perturbador.
Decidi dar mais algumas horas, a tarde havia demorado demais para passar, naquele dia eu estava submerso em ansiedade. Minhas unhas haviam sido roídas, meu cabelo estava todo assanhado do tanto que eu o havia puxado....E meus olhos, cobertos pelos óculos escuros , estavam fixos no celular, esperando ao menos uma mensagem que nunca chegava.
Anoiteceu.  Ainda eram 18 e 30...Que dia longo, parecia que havia passado uma semana, e eu ali estático, aguardando algo que não vinha. 
Decidi então tomar uma atitude. Comecei a me questionar. Afinal, Ayumi esperava o mesmo de mim? Será que ela estava esperando um sinal de vida? Estaria ela olhando para o celular como eu fazia?...
A coragem tomou a ponta de meus dedos e as teclas foram utilizadas. Uma mensagem fora enviada para ela, superficial, sem nada muito profundo, apenas para ter o cuidado de não mostrar sentimento algum:

-- Ayu! É o MAD! E aí? Teve problemas ontem? Seu marido desconfiou de algo? Espero que esteja bem!


Cerca de menos de um minuto depois, uma mensagem de retorno surgiu :

-- MAD! Hahahahaha ora que surpresa nem imaginava que você fosse me mandar algo! Ahhh ontem foi uma bagunça, mas foi divertido! Meu marido não está em casa estes dias, está viajando , participando de reuniões, essas coisas de gente famosa! HAHAHAHAHAHA

Ao ler aquilo, a coragem tomou conta de mim, o telefone fora pego e eu a liguei.

- OI Ayumi....Seu marido não está em casa esses dias?

O tom de voz da Ayumi mudou.

-- HAHAHAHA Oi MAD! Nossa você me ligou....Que surpresa maior....
Não, ele não estará em casa por umas 2 semanas....

Suspirei, falando logo após um leve sorriso.

-- Bom saber , jovem ET.

Ayumi também riu e em seguida me questionou.

- Caramba, por que?

Apenas sorri mais uma vez, e me despedi.

- Já já você saberá , até logo. Deixe a porta destrancada.


O Telefone foi desligado, subi ao quarto para tomar mais um banho. Vesti uma roupa adequada, um pouco mais formal do que costumava usar. Passei meu melhor perfume e desci, buscando as chaves do carro. Estava indo para casa da Ayumi. Restava saber se ela havia entendido meu recado.




~~ CONTINUA


sábado, 12 de setembro de 2015

CAPÍTULO 6 : AQUECIDO

Desde o dia que encontrei Jujuba, Ayumi não saía de minha cabeça. Não sabia ao certo que ansiedade era aquela que crescia dentro de mim. Talvez eu realmente tivesse me tornado uma pessoa diferente. Antes do acontecido, nunca havia sido como os "demais". Não tinha interesse em sair buscando novas pessoas, experimentando novos sabores, vivenciando novas experiências. Até o momento, mesmo tendo tido a oportunidade de ficar com uns e outros  em relações desprovidas de qualquer sentimento, misteriosamente, não me empolgava. 
Entendia sim, que era interessante se aventurar, acordar em camas diferentes ao lado de pessoas desconhecidas. Mas, eu não enxergava toda essa "magia" do sexo casual que a maioria tanto gostava. Talvez porque eu fosse uma pessoa que busca algo mais estável, mais concreto. Recentemente, eu havia me envolvido com uma pessoa casada há mais de 6 meses. Ficamos cerca de 5 dias nos encontrando diariamente enquanto o marido dele estava fora. Foi interessante, mas igualmente repetitivo. 
Minha vida sexual estava , por assim dizer, em sua fase mais "agitada" .  Só que quanto eu mais ficava com as pessoas, menos elas se tornavam interessantes. Era como se todas fossem iguais, mudasse apenas a "carcaça"; O jeito de agir, as reações corporais. Era tudo muito similar. Por que eu não via tanta graça assim? Eu chegava a acelerar o ato e preocupar-me apenas com a satisfação de minha vontade pessoal. Maltratava, xingava, iludia. Literalmente, não me importava com ninguém além de mim mesmo. E sinceramente, aquilo estava me cansando. Bobagem.
O Marido de meu parceiro temporário retornou, e eu então ,fui deixado de lado. Minha companhia de horas anteriores, fora trocada por declarações de amor eterno. Não, eu não tinha sentimentos por ninguém , mas no fundo, fiquei com inveja. Sim, eu sabia que queria pelo menos alguém que esperasse por mim, que me recebesse com um "te amo , vou te amar para sempre", que me tratasse como gente. Não, ele não era fiel...mas amava de verdade o marido dele.  Ambos tinham um acordo matrionial estranho: "Caso um viajasse, o outro tinha dias livres, para se envolver com quem quisesse. "

Eu sou diferente. Meu amor é possessivo. Eu não permitiria uma espécie de acordo desses. Os dias então passaram com pressa, e em um momento, criei coragem. Peguei meu carro, acelerei como se quisesse chegar no meu destino o quanto antes, eu tinha receio da minha "coragem" passar enquanto eu fazia o percurso. Parei na porta da casa da Ayumi, a campainha fora tocada.


Ela abriu a porta com um sorriso de surpresa, ela estava com a bolsa na mão, as chaves do carro na outra, vestida como se fosse sair.

-- Ué, oi MAD! Mas, caramba que surpresa! Está tudo bem? Algum problema?

Sorri, um tanto nervoso e a respondi.

- Não Ayumi, nenhum problema, apenas vim te fazer uma visita!

Ayumi me olhou e depois fechou a bolsa dela .

- MAD, você nunca vem me visitar, eu sempre te procuro para te encher não é? Mas eu estou de saída! Eu tenho uma reunião muito importante e estou me atrasando. Meu marido também não está aqui agora. Mas se você quiser pode passar aqui mais tarde.

Olhei para Ayumi, vê-la daquele jeito, sentir o perfume forte que ela havia acabado de passar, olhar nos olhos chamativos dela e encantar-me por eles.  Meu coração acelerou. Algo diferente fora sentido. Eu chegava a encolher meus dedos, recolhendo-os  , apertava tão forte que eles estalavam.

-- Acho que não....

Segurei Ayumi pelo braço, fiz entrá-la na casa e fechei a porta, trancando-a. Encurralei-a, meus lábios foram até o pescoço dela e roçaram até o canto da boca. Não cheguei a beijá-la, mas a coagi com a minha respiração. Ergui os braços femininos, coloquei-os em cima da cabeça dela. O peito pressionou o feminino, suspirava inalando aquele perfume. Meu coração disparava. Por que? O que estava acontecendo?

-- Ayumi, você sempre me provocou. Sempre...Se você não ficar comigo agora, eu nunca mais ficarei com você , não haverá outra oportunidade.

Ayumi mordeu o labio, tive vontade de beijá-la quando vi o dente cravando na boca dela.  A bolsa caiu, foi ao chão, sendo amortecida pelos meus pés.  As mãos dela foram até meu pescoço, imobilizaram meu rosto e eu me deixei levar. A boca macia da ayumi estava fazendo festa na minha. O fato de sentir seu beijo de forma intensa  e profunda pela primeira vez, deixava-me descompassado. O que estava acontecendo? Era o que constantemente a voz da minha cabeça questionava.  Ela era impulsiva, não me dava tempo de reagir, já ia rasgando minha camisa e me empurrano. Eu não gostava de ser controlado, como ela ousava me controlar? Minha mãos então passaram a demandar as partes do corpo macio dela e a dominá-lo. Movimentava-me com certa pressa e força, apenas para mostrar para ela quem estava no comando. 

-- Caramba MAD, por que isso agora?  Por que você quis brincar comigo logo agora, depois de quase um ano que eu tento "brincar" com você?

Os dedos dela abriram meu ziper, as mãozinhas enfiaram-se dentro de minhas calças e eu me entreguei. Virei uma fera, mas desorientada. Não era o cara controlado e metódico de quase sempre. Ayumi me deixava "estranho". Eu parecia um adolescente qu queria tirar as roupas da namorada o quanto antes, para sentí-la pela primeira vez. Meu corpo inteiro fora beijado, a boca dela aquecia-me de uma forma misteriosa, pela primeira vez em semanas eu me sentia "quente" por dentro, e não apenas por fora. Ayumi era engraçada, louca, um pouco desajeitada. Ela queria fazer tudo de uma vez, mas não havia tempo. Nos agarramos e fizemos amor ali mesmo no tapete da sala, de forma "estranha", apressada. Não foi o melhor sexo da minha vida, nem o mais intenso. Na verdade eu esperava mais da Ayumi. Eu esperava mais da experiencia dela, mais , muito mais....Do mesmo jeito que ela esperava mais de mim também. Eu não havia sido o amante que era acostumado a ser. Não sabia o que tinha acontecido, por que eu estava tão empolgado e ao mesmo tempo tão desorientado. A coordenação e a coerência naquela nossa primeira vez em cima do tapete da sala de estar da Ayumi, não foi assim, tão prazerosa. mas foi divertida. Pela primeira vez, achei divertido o sexo com alguém. Eu nunca tinha rido tanto, brincado tanto, mordido e falado tanta besteria para uma pessoa durante o ato. Ayumi estava mesmo atrasada, e eu queria mais. Infelizmente tive que sair da casa dela, não podia mais atrasá-la em seus  compromissos. 

- Olha MAD, você foi muito danado hoje! HAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHA! Mas vamos brincar mais vezes juntos. Eu quero experimentar mais de você viu? VAMOS BRINCAR MUITO HAHAHAHAHAAHAHHAAHAHAHAHAH!


Olhei Ayumi ainda tentando entender aquelas gargalhadas que ela dava. Eu também sorria, tinha medo do jeito impulsivo dela, mas queria decifrá-la. Ao sair da casa dela, vi a foto de ayumi abraçada ao marido no porta retrato. Virei o rosto, despedi-me e fui embora. Quando encontraria Ayumi novamente? Não sabia. Mas queria, e muito. Claro que queria. Pela primeira vez, depois de muitas semanas, alguém finalmente, havia conseguido me fazer bem.


~~ C O N T I N U  A