sábado, 26 de dezembro de 2015
CAPÍTULO 9: SENTIMENTO
Desde meu último encontro com Ayumi, eu não conseguia parar de pensar nela. Queria, com todo o meu coração, desvendá-la. Por que ela colocava uma armadura tão grande e pesada em seu próprio corpo e evitava qualquer tipo de enlace ? Por que ela se limitava a um relacionamento estritamente carnal sem dar nenhuma abertura para até mesmo, uma amizade? Será que era porque amava o marido dela? Que espécie de amor estranho era esse?...
Mesmo com todos esses questionamentos habitando a minha mente, no instante em que vi no visor do celular uma ligação que indicava ser a dela, tudo se dissipou. Atendi o telefone e escutei aquela rouca e brincalhona voz me atentando.
-- ALÔ? MADDDD! Tou com saudades! Quando vem me ver? Meu marido viajou novamente....Estou te esperando , oka? Não me deixe sozinha, se você não vier eu arranjarei outra pessoa para "brincar"...
Não sabia se Ayumi diria aquelas coisas para me provocar, ou se ela realmente me substituiria assim, facilmente. Não que eu fosse o melhor em alguma coisa, mas eu tinha a curiosidade de saber se ela era mesmo capaz de tratar as pessoas como objeto e descartá-las. E sim, eu ja estava cansado de ser descartado.
Mais um dia marcado. Nós dois nos encontrávamos agora, com bastante frequência. O marido dela estando aqui, ou não. Viajando ou não...Ayumi sempre dava um jeito de me ver. Não interessava se era na casa dela ou no meu apartamento. Não sabia o que aquilo significava, mas eu estava realmente gostando de ficar com ela. Ter a companhia dela era , sem dúvidas, o melhor momento do meu dia. Em mim até mesmo nasceu um sentimento diferente, mesclado com uma pontada de ciúmes de um rapaz. Um tal de Aaron que vivia rondando-a e me levava a crer que ambos tinha algo a mais que uma simples relação familiar. Constantemente, me concentrava e me controlava para não ter sentimentos ruins, de possessividade, de dominação. Ayumi era livre, não no sentido legal, mas como pessoa. Tentar prendê-la era o mesmo que espantá-la, e sinceramente, eu não desejava isso. Os dias corriam bem, tudo estava indo melhor do que poderia imaginar.Até que, certa vez ,recebi um telefonema desesperado dela, tarde da noite, mais ou menos umas 2 da manhã....
-- MAD?...Estou me despedindo. Estou indo embora. Estão acontecendo coisas com meu coração e não posso ficar. Terminei meu casamento, não posso mais ficar aqui. Adeus. Sentirei sua falta.
Não entendi aquela ligação, não entendi aquele choro. Apenas, com a roupa do corpo, me dirigi apressado para a casa da Ayumi. Lá, a encontrei em prantos, chorando, mostrando os móveis quebrados e a fúria que o marido dela havia deixado ali. Com certeza ele havia descoberto as traições dela, não apenas comigo, mas com outras pessoas....Ou então ela terminou com ele e provocou aquele furacão de ódio. Ayumi chorava, e eu queria chorar também. A abracei, com força. Ela sentiu-se reconfortada em meu peito, e desabafou :
- Preciso ir embora, para longe, não sirvo mais para isso...não sirvo para ninguém, quero morrer, quero fugir.
Escutando aquilo, meu coração encheu-se ao mesmo tempo, de tristeza e ternura, e olhando-a , sem dizer muito...deixei sair de meus lábios para que ela pudesse ouvir.
- Fique aqui, eu te amo. Não quero que vá embora. Por favor...
Eu amo você.
Sabia que aquelas palavras poderiam não ter nenhum impacto para ela, nenhum significado...Mas, para minha surpresa, Ayumi me abraçou, me abraçou tão forte, me deu um beijo tão intenso e me disse chorando que também me amava.
-MAD...Eu te amo....
Depois daquele dia, ambos não sabíamos, mas estávamos presos para sempre um no coração do outro. Aquele beijo, depois daquela primeira declaração, selaria um pacto eterno de amor , de um confuso amor, bagunçado, mas verdadeiro. Pela primeira vez na vida, ambos, fizemos "amor",um com o outro. Conscientes de que um amava o outro. Foi uma longa noite, talvez a melhor das nossas vidas até então. O dia amanheceu e Ayumi estava fazendo meu peito de travesseiro.
~~ CONTINUA
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