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domingo, 16 de agosto de 2015

CAPÍTULO 5 : DESPREZO


Aquele dia seria difícil. Nunca, em toda a minha vida, havia passado por uma experiência tão revoltante. Cheguei na casa do meu irmão de coração, Dominique, ou como era conhecido pelo seu apelido, Dom.  Era de madrugada, mais ou menos 4 da manhã. Quando cheguei na porta da casa dele, parei o carro, fiquei pensando por alguns minutos, refletindo sobre os acontecimentos anteriores, e não sentia nada além de nojo do meu corpo e raiva. Liguei para Dom , que demorou um pouco para me atender. 



-- Alô, MAD? O que foi? Você está bem? São mais de 4 da manhã !
Ele perguntou preocupado.

-- Não, mano. Não estou bem. Aconteceu uma coisa.

Expliquei à Dom o que tinham feito comigo e o que eu havia feito em resposta.

-- Mas MAD! Eu avisei! Eu avisei que aquele desgraçado ia te fazer mal! Você não me escuta!

Fiquei calado . Dom era como o pai que nunca tive. Eu o chamava de irmão, mas os seus conselhos eram de pai para mim.

-- Desculpe, mano. Só estou sujo e cansado. Preciso de um banho. Posso usar seu banheiro?

Dom Sorriu e imediatamente me deu uma resposta satisfatória.

-- Enquanto você não organiza seus pensamentos, você vai morar aqui. Tenho quartos desocupados, Ruki não se incomodará com a sua presença. 

Foi um alívio ouvir aquilo. Precisava de um lugar diferente do meu apartamento para ficar. Sabia que D.evil me buscaria e que a casa de Dom seria a última opção.

-- Estou aqui na porta, mano. Obrigado.

Dom me buscou, me abraçou, viu meu estado e pude observar a revolta nos olhos dele. Sabia que ele faria algo, mas não diria à mim, conseguia ver na expressão dele. Dom conhecia os 3 que haviam me atacado. Aoi e Taka eram ex namorados complicados do atual marido dele. D.evil e Dom já brigaram no passado. Não seria difícil ele querer um motivo para massacrá-los. Entrei na casa, acomodei-me no quarto de hospedes e me desinfectei com um banho quente, muito quente. Não consegui dormir. Assim que o dia amanheceu, saí para correr e para me distrair. Às 11 da manhã, recebi uma ligação de Dom. Ele estava na casa de TAKASHIMA, o principal responsável pela violência contra mim no dia anterior. Dom estava com mais "dois amigos". 

-- MAD, estou na casa do Taka...Ele está aqui bem seguro , bem amarrado. Venha aqui.





Me assustei com a voz dele, o jeito que ele falou parecia diabólico. Sabia onde Takashima morava, em poucos minutos estava lá. Dom me recebeu na porta. Takashima estava amarrado , de bruços com as nádegas empinadas, nu. Dois amigos de Dom que eu desconhecia quem eram, maltratavam a pele de Takashima, que por estar amordaçado somente emitia ruídos de angústia. Vê-lo amarrado daquela forma me deu satisfação. Talvez eu tivesse me tornado uma pessoa ruim.


-- Gostou do seu presente, MAD? Pela história que você me contou ontem, este filho da puta foi o único que conseguiu fugir...Vou ter um gostinho especial de dar umas porradas nele, por mim e por você. Já que mesmo estando casado, esse desgraçado ainda dá em cima do meu marido.

Respondi , sem conseguir esconder a satisfação ao ver Takashima daquela forma.

-- Sim, ele fugiu. Mas não vou fazer nada com ele, apenas olhar. 


Dom consentiu. Enquanto eu sentava e acendia um cigarro observando aquele espetáculo, os amigos de Dom trabalhavam em uma sessão de tortura combinada com abuso sexual contra Takashima  na minha frente. Nas minhas mãos ainda haviam machucados da noite anterior, no meu rosto, nos meus lábios. E quanto mais eu via meu reflexo, mais eu  me sentia feliz em notar que aquele inseto estava sentindo um pouquinho da dor que eu senti. Eu estava frio, os protestos que ouvia, não importavam. A cada grito daquele infeliz, eu me sentia pleno. Os gemidos de Takashima foram gravados em meu celular, cada vez que ele implorou com um "pare! " fora gravada. Pela primeira vez desde o incidente, eu pude sorrir com sinceridade. Depois daquela sessão, saímos da casa de Takashima . Este implorou que não chegássemos mais perto dele. Me sentia vingado, sim...Mas havia me transformado. Sentia algo escuro dominando meu corpo, meu interior...como se eu não me importasse mais com ninguém e não acreditasse mais em sentimento. Agradecia à Dom pelos "serviços" e pela preocupação.


-- Obrigado, mano. Não foi a coisa mais bonita a ser feita, mas me sinto melhor. Nunca vou esquecer o que esse desgraçado me falava. Agora, ele não vai mais esquecer de mim.



A vontade que eu tinha era de sair por aí, maltratando fisicamente as pessoas com sexo. Sendo rude, sendo completamente o avesso do que eu era até ontem. Então, tratei de buscar nos meus contatos todas as pessoas para as quais havia negado qualquer tipo de relação anteriormente. Começando por todos os amigos de D.evil. Era uma lista das pessoas que levaria para a cama. Todas fáceis, promíscuas, todas viciadas em sexo. Era isso que queriam, apenas uma noite sem compromisso e no outro dia seríamos desconhecidos, nada de especial aconteceria e seguiríamos nossas vidas buscando outras pessoas para dormir nas noites seguintes. Minha abordagem era diferente de antes. Antes eu recuava, fugia, mostrava respeito. Agora , eu chegava agarrando. Mal via a pessoa, já induzia um beijo superficial apenas para dizer que beijei. Beijo era algo intenso, intimo demais. Beijava todos com nojo, queria desgrudar a boca o quanto antes, o fazia por mero "ritual", a obrigação de iniciar o sexo com aquele contato. Não fazia oral em ninguém, apenas recebia. Se não conseguia beijar os lábios, não beijaria outras partes. O sexo era distante, um mero contato físico, apenas para cada um sentir prazer e depois esquecer da existência do outro. Nenhuma palavra gentil era proferida durante o ato inteiro. Havia encontrado meu "estilo", minha barreira sentimental não seria quebrada novamente. Usar essas pessoas que queriam ser usadas e depois descartá-las seria sim, o melhor a ser feito.


-- MAD, estou com saudade...vamos nos ver de novo. Quero sentir aquela sua violência no meu corpo.
Recebi a ligação de Takeru. Suspirava chateado. Takeru era um Uke masoquista que nada fazia, só gritava pedindo por "pau".
Minha resposta foi completamente sem emoção, mesmo que positiva.

-- É? Tá....Qualquer dia a gente se encontra então. Certo? Estou ocupado.

Talvez aquele dia nunca chegasse. Até então, não havia repetido nenhum dos meus encontros casuais. Coisas descartáveis para mim, era usadas uma vez e depois jogadas fora. Eu não reciclava quem dormia comigo. Não levava para meu apartamento, não levava para onde eu me sentia bem. O telefone foi desligado. Segundos depois Satoru me ligou.

-- MAD, onde você está? Está tudo bem?

Eu e satoru passamos alguns minutos conversando. E na conversa, lembrei-me dela...Ayumi. Tratei de perguntar sobre a guria estranha e agitada. Ayumi sempre tinha dado investidas em mim. Sempre mostrava indícios de que desejava ficar comigo. Talvez aquela fosse a oportunidade. Sempre havia negado qualquer coisa à ela. Desta vez não, eu iria procurá-la.

-- Jujuba, e a Ayumi? Continua louquinha ?

Perguntei, desejando uma resposta positiva.

--Louca? Hahahaha! Mais que louca, sempre sei dela com um homem diferente!

Depois da resposta, conversamos mais um pouco e encerramos. Ayumi então tinha diferentes homens? Eu seria o próximo. Há muitos anos não ficava com mulheres. Talvez precisasse mudar o "cardápio" com o qual estava acostumado. Estava decidido, da próxima vez que encontrasse Ayumi, eu diria, sim.



~~ C O N T I N U A

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